sábado, 27 de fevereiro de 2010

"Wrong State of Mind"


Sou este silêncio..

o silêncio que desfaz,

que mata aos poucos

a existência.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

- Espera que o inesperado dê o sinal...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

3-9-1924.

Ah quanta melancolia!
Quanta, quanta solidão!
Aquela alma, que vazia,
Que sinto inútil e fria
Dentro do meu coração!

Que angústia desesperada!
Que mágoa que sabe a fim!
Se a nau foi abandonada,
E o cego caiu na estrada -
Deixai-os, que é tudo assim.
Sem sossego, sem sossego,
Nenhum momento de meu
Onde for que a alma emprego -
Na estrada morreu o cego
A nau desapareceu.

Fernando Pessoa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Para aproveitarmos


a liberdade



temos que nos controlar.``


Virginia Woolf.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

O Estrangeiro.


"Jovem eu pedia às pessoas mais do que elas me podiam dar: uma amizade contínua, uma emoção permanente. Hoje sei pedir-lhes menos do que podem dar: uma companhia sem palavras. E as suas emoções, a sua amizade, os seus gestos nobres mantêm a meus olhos o seu autêntico valor de milagre: um absoluto resultado da graça."


Albert Camus.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Da minha idéia do mundo.


Da minha idéia do mundo
Caí...
Vácuo além do profundo,
Sem ter Eu nem Ali...

Vácuo sem si-próprio, caos
De ser pensado como ser...
Escada absoluta sem degraus...
Visão que se não pode ver...

Além-Deus ! Além-Deus! Negra calma...
Clarão do Desconhecido...
Tudo tem outro sentido, ó alma,
Mesmo o ter-um-sentido...

Fernando Pessoa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A Descoberta do Mundo.

Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio?

C. Lispector.

Os ninguéns.


As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mais a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, e sim folclore.
Que não têm cara, tem braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

Eduardo Galeano.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Não Quero Rosas Desde que Haja Rosas




Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir.

Para quê?... Se o soubesse, não faria
Versos para dizer que inda o não sei.

Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...

(Fernando Pessoa)

domingo, 14 de fevereiro de 2010


"Mundo mundo vasto mundo

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo,

mais vasto é meu coração."


Carlos Drummond de Andrade.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Bebi de tua alma
E sinto na boca
Toda a polpa
Do sentimento que te alimenta.

(...)

Bebi de tua alma
E sonhei como sonhaste
Quando me bebeste.

Virginia Pedras.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A miséria do meu ser

A miséria do meu ser,
Do ser que tenho a viver,
Tornou-se uma coisa vista.
Sou nesta vida um qualquer
Que roda fora da pista.


Ninguém conhece quem sou
Nem eu mesmo me conheço
E, se me conheço, esqueço,
Porque não vivo onde estou.
Rodo, e o meu rodar apresso.


É uma carreira invisível,
Salvo onde caio e sou visto,
Porque cair é sensível
Pelo ruído imprevisto...
Sou assim. Mas isto é crível?


Fernando Pessoa.